Vive com dor de cabeça? A culpa pode ser do bruxismo de vigília

Vive com dor de cabeça? A culpa pode ser do bruxismo de vigília

O costume de apertar ou ranger os dentes quando se está acordado pode causar dor de cabeça e na face

Resumo da notícia

  • O bruxismo de vigília ocorre quando a pessoa range, raspa ou aperta os dentes quando está acordada
  • Involuntário, o hábito está associados ao estresse, ansiedade e momentos que exigem muita concentração
  • O bruxismo de vigília pode causar dor de cabeça, zumbido no ouvido, tontura e fraturas na arcada dentária
  • O tratamento depende da causa, mas geralmente é feito com atitudes para controlar o estresse, medicamentos e lembretes para não apertar os dentes

Quando se fala em bruxismo, logo vem à cabeça o hábito de "bater" os dentes enquanto dorme. Mas esse nome também é usado quando a pessoa range, raspa ou aperta os dentes e/ou contrai os músculos da face quando está acordada, ou seja, em vigília.

É um costume que pode ser comparado a outros que chamamos de parafuncionais, como roer unhas, morder os lábios ou a bochecha. Atitudes muitas vezes inconscientes que o indivíduo só se dá conta quando já está fazendo há algum tempo e pode trazer complicações.

O que gera o problema

O bruxismo de vigília está associado ao estresse, ansiedade e momentos que exigem concentração. A condição pode ocorrer em qualquer idade, mas tende a atingir principalmente mulheres entre 20 e 55 anos, fase em que elas são mais produtivas.

"Enquanto o bruxismo do sono acontece em 5% da população, em média, estima-se que o bruxismo na vigília afete cerca de 30% das pessoas", conta Juliana tuginski Barbosa, cirurgiã dentista, pesquisadora do Bauru Orofacial Pain Group, da USP (Universidade de São Paulo) e membro da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial.

Apesar de a pessoa muitas vezes não se dar conta no momento que está apertando os dentes, depois é difícil ignorar os seus resultados. O problema causa, principalmente, dores na face, nas laterais da cabeça, zumbido no ouvido, dores e dificuldade para abrir e fechar a boca, tontura, desgaste e sensibilidade dos dentes e, em casos mais graves, fraturas na arcada dentária. "Muitas vezes, esses incômodos são mal diagnosticados e levam ao uso desnecessário de medicamentos controlados que podem provocar efeitos colaterais", alerta Vinícius Pedrazzi, professor da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP.

Obviamente, esses remédios administrados incorretamente vão apenas minimizar o desconforto, em vez de combater a causa do problema. Por isso, o ideal é que o indivíduo procure um especialista antes de lançar mão de drogas para combater o desconforto provocado pelo hábito.


Como é o tratamento

Segundo Pedrazzi, aparelhos como os eletromiógrafos, que medem as atividades musculares, dão um diagnóstico preciso do bruxismo de vigília e auxiliam na indicação do tratamento mais indicado. Dependendo da causa do problema, a solução pode envolver meditação, exercícios respiratórios para aliviar a tensão, atividade física, sessões de terapia e prescrição de remédios que combatem a ansiedade e o estresse.

Como o bruxismo de vigília é um problema inconsciente, para controlar o comportamento, também é importante o paciente ser lembrado constante de que tem a condição. A pessoa pode fazer isso, por exemplo, colando papéis adesivos para recados na tela do computador do trabalho, com advertências para relaxar a musculatura e não apertar os dentes. "Existem também aplicativos de celular para esse fim, o Desencoste seus Dentes e Bruxapp, por exemplo, que enviam lembretes ao longo do dia para o usuário", acrescenta Barbosa.

Existem ainda tratamentos individualizados, como o reposicionamento mandibular e o uso de aparelhos entre os dentes para evitar a contração dos músculos localizados na lateral da cabeça e na mandíbula.

Outras fontes consultadas: Leandro Lukacsak, odontologista especialista em disfunção temporomandibular e dor facial, fundador da Clínica OralFix; Alain Haggiag, cirurgião dentista especialista em disfunção da ATM e dor orofacial pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Fonte: Site UOL



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